Criar
Desenhar um curso novo sem começar pelas disciplinas
Criar um curso de raiz permite inverter a sequência habitual: primeiro o propósito e o perfil de saída; as disciplinas, no fim.
O ponto de partida
Acompanhei processos de criação de novos cursos universitários em diferentes contextos. Desenhar um curso de raiz é uma das poucas ocasiões em que uma universidade pode formular uma pergunta diferente, sem as inércias do que já existe:
Que tipo de profissional e de pessoa precisa de emergir deste curso?
A tensão
A estrutura universitária tende, de forma natural, a começar pelo outro extremo:
disciplinas → departamentos → cadeiras → conteúdos
É uma sequência compreensível — reflete como a instituição está organizada — mas produz cursos que reproduzem a estrutura interna da universidade em vez de responder ao contexto que o diplomado vai habitar.
A pergunta mudou
A transformação começa quando a sequência pode inverter-se:
propósito → perfil de saída → problemas e contextos profissionais → capacidades → experiências → conhecimento disciplinar → arquitetura curricular
E a pergunta central do desenho passa a ser:
O que deve viver um estudante durante vários anos para se tornar progressivamente o profissional que declaramos no perfil de saída?
O que começámos a conectar
Quando o desenho parte do perfil e dos problemas reais, a interdisciplinaridade deixa de ser um adorno e torna-se uma necessidade estrutural: os problemas que definem a profissão não respeitam fronteiras departamentais.
As disciplinas não perdem com esta abordagem. Mantêm a sua profundidade e ganham um papel adicional: atuam como recursos para compreender e agir sobre problemas complexos.
Que decisões emergiram
Nos processos que acompanhei, esta inversão de sequência faz emergir decisões que a lógica tradicional nunca chega a colocar:
- Definir o perfil de saída como arquitetura, não como lista de boas intenções.
- Desenhar experiências estruturantes que atravessam anos e disciplinas.
- Reservar espaço estrutural para o contacto sustentado com contextos profissionais reais.
- Alinhar a avaliação com capacidades demonstráveis, não apenas com conteúdos superados.
Uma ideia que transcende este caso
Desenhar um curso interdisciplinar não consiste em justapor cadeiras de diferentes departamentos. Consiste em construir deliberadamente as conexões entre saberes, experiências, capacidades e contextos profissionais.
Esta história liga-se à transformação universitária e ao trabalho sobre avaliação, competências e evidências.
Arquitetura Sistémica da Aprendizagem · dimensões desta história
- Propósito
- Perfil de saída
- Currículo
- Interdisciplinaridade
- Experiências
- Avaliação
- Papel docente
● dimensão central do processo · ○ dimensão secundária
Conhecer a Arquitetura Sistémica da Aprendizagem →Nota de confidencialidade. Esta história foi anonimizada: não contém nomes, países, datas nem dados que permitam identificar as instituições ou pessoas envolvidas. Os padrões observados sintetizam aprendizagens de diferentes processos, nunca de uma única instituição.
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Encontra-se perante uma transformação semelhante?
Cada instituição parte de uma história e de condições diferentes. Podemos conversar sobre o momento em que a sua se encontra e as perguntas que vale a pena explorar.
Conversar sobre uma transformação