Como deve transformar-se uma universidade para continuar a gerar valor na era da IA?
Da mudança incremental à transformação sistémica
Os relatórios da EDUCAUSE, UNESCO e OCDE convergem num mesmo diagnóstico: a mudança incremental é insuficiente. A IA tornou visíveis fraquezas que já existiam na avaliação, no currículo, na estratégia e na cultura institucional.
A resposta não é acrescentar mais iniciativas — outro piloto, outro workshop, outra licença — mas rever a arquitetura completa: propósito, modelo educativo, currículo, avaliação, docentes, tecnologia, dados e relação com o território.
A arquitetura macro–meso–micro
A transformação real exige articular três camadas que habitualmente operam desconectadas:
- Macro (direção): propósito, identidade institucional, modelo educativo, estratégia e governança de IA, proposta de valor, impacto territorial.
- Meso (sistema): perfil de egresso, currículo, progressão de competências, avaliação, desenvolvimento docente, tecnologia, dados e vínculos externos.
- Micro (experiência): desafios, projetos e casos, atividades, papéis, feedback, rubricas, metacognição e evidências.
Como trabalho
Cada processo começa com um diagnóstico institucional nas três camadas e termina com capacidades instaladas, não com um relatório. O acompanhamento combina direção estratégica, cocriação com equipas internas, pilotos mensuráveis e escalado progressivo.
Vivi resistências docentes, limites tecnológicos, tensões curriculares e implementações multinacionais. Essa experiência permite antecipar o que acontece quando uma universidade tenta transformar-se de verdade, não apenas como deveria ser.
Resultados que se podem demonstrar
A transformação mede-se: adoção docente, mudanças curriculares efetivas, qualidade das experiências de aprendizagem, competências desenvolvidas e evidências longitudinais do perfil de egresso. Sem medição não há transformação; há comunicação.